domingo, 13 de dezembro de 2015

Que o pra sempre, sempre acaba


      Sou uma grande admirada do amor. Às vezes costumo pensar que passarei a minha vida inteira apenas admirando, mas isso não é post para se falar disso. Aprecio os atos apaixonados das pessoas e sei reconhecer quando é de verdade e o que me entristece é saber que parte do que eu vejo são apenas encenações para o social. Mas ainda sim, existem aqueles que vivem os seus grandes amores verdadeiramente, aqueles amantes proibidos, aqueles amores quentes e passageiros que duram apenas umas férias de verão, mas fica em nossas vidas para sempre podendo até se tornar mais marcante que aquele que está com você uma vida inteira.

      Amo assistir aqueles beijos – estilo desentupidor de pia – no final dos filmes, mas me derreto por inteira quando no máximo, acontece um olhar desesperado de desejo, mas em sinal de despedida. Acredito que se separar, ou melhor, decidir não ficar mais juntos, não seja uma questão de falta de amor. Muita das vezes o amor está ali, mas ele não é o suficiente. (Huuum... falei bonito agora).


      Talvez não todos, mas a maioria sonha em viver um romance de cinema, aquele avassalador que apesar de tudo, vai valer a pena ser vivido não importa o que aconteça no final. Cobertos de clichês, feitos heroicos e uma pitada de tragédia (amo as tragédias, acho que de certa forma é o que dá aquele gás no filme e me faz chorar, é acreditar que nada dura para sempre) hoje eu vou listar alguns - existem dezenas de milhares - filmes que apesar do grande amor, dos sentimentos mais bonitos e puros e de todo romantismo, o casal não fica junto no final seja por algum empecilho da vida ou morte ou qualquer outra coisa que possa impedir essa união. 

P.S: Eu simplesmente amo CADA UM DELES. 

1. TITANIC 

     Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) é um jovem aventureiro que, na mesa de jogo, ganha uma passagem para a primeira viagem do transatlântico Titanic. Trata-se de um luxuoso e imponente navio, anunciado na época como inafundável, que parte para os Estados Unidos. Nele está também Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet), a jovem noiva de Caledon Hockley (Billy Zane). Rose está descontente com sua vida, já que sente-se sufocada pelos costumes da elite e não ama Caledon. Entretanto, ela precisa se casar com ele para manter o bom nome da família, que está falida. Um dia, desesperada, Rose ameaça se atirar do Titanic, mas Jack consegue demovê-la da ideia. Pelo ato ele é convidado a jantar na primeira classe, onde começa a se tornar mais próximo de Rose. Logo eles se apaixonam, despertando a fúria de Caledon. A situação fica ainda mais complicada quando o Titanic se choca com um iceberg, provocando algo que ninguém imaginava ser possível: o naufrágio do navio.

2. O GUARDA COSTAS

     Frank Farmer (Kevin Costner), um guarda-costas altamente eficiente e caro, é contratado para proteger Rachel Marron (Whitney Houston), uma grande cantora e atriz, que está recebendo cartas anônimas e ameaçadoras. Frank é um ex-agente do Serviço Secreto que ainda não se perdoou do sentimento de culpa em relação à sua inabilidade de proteger o presidente Reagan, que quase foi assassinado por John Hinckley. Frank e Rachel se apaixonam mas ele não deixa este amor evoluir, pois quando estão juntos Rachel fica vulnerável. Paralelamente, novos atentados acontecem.

3. UM AMOR PARA RECORDAR

     Em plenos anos 90, Landon Carter (Shane West) é punido por ter feito uma brincadeira de mal gosto em sua escola. Como punição ele é encarregado de participar de uma peça teatral, que está sendo montada na escola. É quando ele conhece Jamie Sullivan (Mandy Moore), uma jovem estudante de uma escola pobre. Com o tempo Landon acaba se apaixonando por Jamie que, por razões pessoais, faz de tudo para escapar de seu assédio.

4. O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO

     Julianne (Julia Roberts) e Michael (Dermot Mulroney) combinaram que, se ambos continuassem solteiros quando completassem 28 anos, se casariam. Quando recebe um telefonema do amigo, às vésperas da fatídica data, anunciando que está prestes a se casar, mas com outra (Cameron Diaz), Julianne se descobre apaixonada por ele e aceita o convite para ser madrinha, mas com segundas intenções.

5. (500) DIAS COM ELA 

     Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) está em uma reunião com seu chefe, Vance (Clark Gregg), quando ele apresenta sua nova assistente, Summer Finn (Zooey Deschanel). Tom logo fica impressionado com sua beleza, o que faz com que tente, nas duas semanas seguintes, realizar algum tipo de contato. Sua grande chance surge quando seu melhor amigo o convida a ir em um karaokê, onde os colegas de trabalho costumam ir. Lá Tom encontra Summer. Eles também cantam e conversam sobre o amor, dando início a um relacionamento.

6. UM DIA

     Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess) se conheceram na faculdade, em 15 de julho. Esta data serve de base para acompanhar a vida deles ao longo de 20 anos. Neste período Emma enfrenta dificuldades para ser bem sucedida na carreira, enquanto Dexter consegue sucesso fácil, tanto no trabalho quanto com as mulheres. A vida de ambos passa por várias outras pessoas, mas sempre está, de alguma forma, interligada.

7. ANTES QUE O DIA TERMINE

     Ian (Paul Nicholls) e Samantha (Jennifer Love Hewitt) formam um casal feliz e cheio de planos para o futuro. Enquanto Samantha busca demonstrar seu amor a todo momento, Ian procura voltar sua atenção para a carreira e os amigos. Após um dia em que tudo deu errado, eles terminam o namoro. Entretanto um acidente faz com que a vida deles mude de rumo. No dia seguinte Ian percebe que acordou novamente no dia anterior, tendo a chance de refazer tudo o que tinha feito antes, só que agora da forma correta.

8. CIDADES DE PAPEL 

     A história é centrada em Quentin Jacobsen (Nat Wolff) e sua enigmática vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman (Cara Delevingne). Ele nutre uma paixão platônica por ela. E não pensa duas vezes quando a menina invade seu quarto propondo que ele participe de um engenhoso plano de vingança. Mas, depois da noite de aventura, Margo desaparece – não sem deixar pistas sobre o seu paradeiro.

9. RELAÇÕES EM RISCO

     Judith (Jurnee Smollett-Bell) é uma terapeuta que trabalha em uma agência de casamentos pertencente a Janice (Vanessa L. Williams). Ela é casada com o farmacêutico Brice (Lance Gross), que conhece desde os seis anos. Judith está bastante insatisfeita com o atual trabalho e sonha abrir seu próprio negócio, mas Brice sempre breca sua iniciativa por pensar muito no risco financeiro que uma empreitada do tipo traria. Frustrada por não receber apoio do marido, ela acaba sendo seduzida por Harley (Robbie Jones), um empresário da internet que aparenta estar disposto a investir em sua ideia.


10. A CULPA É DAS ESTRELAS 

      Diagnosticada com câncer, a adolescente Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) se mantém viva graças a uma droga experimental. Após passar anos lutando com a doença, ela é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio cristão. Lá, conhece Augustus Waters (Ansel Elgort), um rapaz que também sofre com câncer. Os dois possuem visões muito diferentes de suas doenças: Hazel preocupa-se apenas com a dor que poderá causar aos outros, já Augustus sonha em deixar a sua própria marca no mundo. Apesar das diferenças, eles se apaixonam. Juntos, atravessam os principais conflitos da adolescência e do primeiro amor, enquanto lutam para se manter otimistas e fortes um para o outro.

11. LEMBRANÇAS

      Nova York. Tyler Roth (Robert Pattinson) é um jovem rebelde que não tem uma boa relação com o pai, Charles (Pierce Brosnan), desde que uma tragédia abalou sua família. Ele divide um apartamento com Aidan (Tate Wellington) e com ele sai para uma boate. Ao deixar o local, Tyler se intromete em uma briga. Neil Craig (Chris Cooper), um policial traumatizado pelo assassinato de sua esposa dez anos antes, é chamado ao local. Ele libera Tyler e Aidan mas, após uma provocação de Tyler, lhe dá uma surra e manda prendê-lo. Dias depois, Aidan descobre que Ally (Emilie de Ravin), a filha de Neil, estuda com eles. Ele propõe a Tyler que tente conquistá-la, para se vingar. Inicialmente relutante, Tyler aceita a proposta. Só que, aos poucos, se apaixona por Ally.



“Porque em cada pedaço de mim, sempre haverá um pedaço de você.” (Tio Nick em Diário de Uma Paixão) 






sábado, 12 de dezembro de 2015

Cinquenta Tons de Cinza - GREY


 ALERTA DE SPOILER!
 
     Christian Grey, Christian Grey, Christian Grey... Estou repetindo várias e várias vezes para sentir o quão bom é esse nome. É sonoro, é forte, é imponente, é sexy, é tão... Christian Grey.



     FINALMENTE terminei de ler essa maravilha e depois de me apaixonar por todos os outros, aguardo em cólicas o lançamento dos próximos. Se antes eu já me via apaixonada, agora eu estou completamente rendida e se você não gostou da trilogia, detesta a história e cisma em dizer que o livro é para mulheres mal amadas, meu amor esse post não te representa!

     Antes de falar diretamente do livro, quero dizer uma coisa ao qual discordo. Vi em algumas resenhas e comentários, que o pessoal acredita que se o Grey fosse lançado antes, teria sido um acontecimento muito maior e eu discordo. O livro é muito bom, muito bom mesmo, mas ainda sim, a Ana teria que vir primeiro. Ela tinha que dar o brilho dela e nos deixar encantados e raivosos e agora sim, depois de sabermos quem é ela e quem é o Sr. Grey pelos olhos dela, chegou à vez de descobrirmos quem é ele de verdade. É como se com ela ficássemos sabendo de uma fofoca muito quente e no dele ficássemos sabendo a real verdade.

     GREY vem com tudo e com força (entenderam? Não? Esquece então... rs’) ele é nu e cru e só pensa naquilo como já imaginávamos. Ele pensa de dia, de tarde, de noite, de madrugada e em qualquer outra hora que não englobe manhã, tarde e noite. Mas, além dele pensar nisso a todo o momento, é muito mais nítido o tamanho do carinho que ele desenvolve pela Ana, mesmo sem saber ou negando isso dentro de si mesmo. Acredito que podemos classificar o “amor” deles como amor a primeira vista sim, porque não? Ele a desejou desde o primeiro momento em que a viu.  

     Mergulhar no pensamento desse homem é sentir na pela a intimidação que ele causa na Ana e se ela possuía uma Deusa interior, ele tem um Deus Grego interior. É como se fosse a consciência dele conversando com ele mesmo e quando ele está prestes a cometer uma loucura ali ou aqui, ela surge e o puxa para a realidade.

     Desde que me apaixonei pela trilogia venho lutando e dando as costas para os comentários babacas do tipo “Como vocês conseguem gostar de um cara que bate em mulher?”. PQP, quantas vezes vamos ter que discutir sobre isso? Estou de saco cheio. ELE é adepto ao “BDSM” – sigla para um tipo de atividade sexual que inclui submissão, disciplina, dominação, obediência, sadismo e masoquismo.  O que tem que ser esclarecido, ainda, depois de quase cinco anos de lançamento do livro é que o Grey, não é um espancador de mulheres. Essa prática vem atravessando séculos e séculos e em pleno século XXI, as pessoas ainda ficam extremamente chocadas. Todas as mulheres que passaram pela vida dele, tiveram consciência do que estavam fazendo, tirando a Ana, todas eram praticantes ativas dessa prática sexual, sendo assim estavam acostumadas. O problema que as pessoas parecem não entender e não entendem mesmo, afinal quem mais critica, são os que não leram, é que a Ana, é virgem. Ela nunca teve experiência nenhuma, NENHUMA, é um tanto inocente demais, talvez, mas ainda sim, ela não entende desse mundo e acabou se apaixonando por um homem que só vive disso. Será que é difícil entender que por amor as pessoas fazem coisas que não fariam se não estivesse amando? Até se ele batesse nela propositalmente, muito provavelmente ela continuaria com ele, pois ela está apaixonada, infelizmente essa é a realidade de muitas mulheres pelo mundo. (DIGA NÃO A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER!).

     Voltando ao foco, existe um contrato, que por sinal ela não assina, mas existe. Verbalmente, ela concordou com todos os termos dele, ela é inocente, mas não é idiota, ela poderia estar com medo da novidade, mas ela queria e muito tudo aquilo, em partes por ele, mas também por ela. Não sou conhecedora desse universo, mas o pouco que pesquisei me levou a acreditar que o livro é muito básico.


     Com o avançar do livro, vamos aos familiarizando com as atitudes um tanto estranhas do nosso Senhor, e algumas logo vão sendo justificadas. Ele precisa e sabe que precisa de tratamento, não é atoa que ele faz terapia com o Dr. Flynn. Eu esperava mais momentos com o terapeuta, mas o único encontro que eles tiveram me deixou verdadeiramente sentimental. Uma coisa é ver aquele Christian que não se abre para ninguém, que sempre luta internamente sozinho, outra coisa é vê-lo conversando francamente com outra pessoa, se despindo de todo máscara Christian Grey e revelando seus medos e desejos mais internos.

     Durante a leitura senti muita falta da Mr. Robinson, pensei que em vários momentos ela fosse aparecer e fazer com que nós a odiássemos ainda mais, mas não, ela aparece duas vezes, eu acho, e é por SMS ou e-mail, nada além disso.

     Uma coisa muito nítida e linda do livro é confirmar que a Ana estava coberta de razão, ele ama a “prostituta drogada”, ele ama a mãe dele. E é sobre esse amor, que eu me derreti com o penúltimo sonho (pesadelo) dele. É justamente o sonho ao qual ela está morta e ele brinca, ele come, ele bebe água, ele deita ao lado dela, ele cobre a mãe – pois ela está muito fria – quando na verdade ela já está morta e obviamente uma criança tão pequena e já traumatizada, não tem a menor ideia de tudo o que está acontecendo ao seu redor.

     Grey, trás para os fãs da trilogia, muitas confirmações que a Ana já tinha nos passado, mas também nós enche de sentimentos novos.

     Não poderia terminar sem dar o meu conselho a esse homem. Mesmo que o Dr. Flynn faça esse trabalho, eu preciso enfatizar. Ele precisa entender que ele pode e deve ser amado. Essa não é uma exclusividade para poucos, ele não é tão monstro e imundo assim. Eu sei que já sabemos o que vem pela frente, mas imaginemos que tudo ainda seja um mistério, gostaria de falar para ele que, antes dele querer, por exemplo, acentuar a autoestima da Ana, ele tem que ter uma própria. Obviamente que ele tem muito momentos egocêntricos, mas ele tem uma autoestima baixa. Ele se vê como um terrível monstro, incapaz de ser amado. Não sei se é muito viagem minha, mas acredito que parte de tudo isso que ele sente é raiva de si mesmo por não ter conseguido salvar a mãe. Ele a amava e se ele pudesse teria a salvado.

     Bom, como sabemos, nossas autoras amadas sempre demoram uma vida para lançar as continuações e acabam deixando nossos corações chorosos e aflitos. Enquanto o Sr.Grey não ganha continuação, vou lendo e relendo toda a trilogia e o a versão MARA dele e em dias de muita saudade vou mergulhar no DVD e assistir o filme até não querer mais.




Editora: Intrínseca

Autora: E L James

Sinopse: Christian Grey controla tudo e todos a seu redor: seu mundo é organizado, disciplinado e terrivelmente vazio – até o dia em que Anastasia Steele surge em seu escritório, uma armadilha de pernas torneadas e longos cabelos castanhos. Christian tenta esquecê-la, mas em vez disso acaba envolvido num turbilhão de emoções que não compreende e às quais não consegue resistir. Diferentemente de qualquer mulher que ele já conheceu, a tímida e quieta Ana parece enxergar através de Christian – além do empresário extremamente bem-sucedido, de estilo de vida sofisticado, até o homem de coração frio e ferido.
Será que, com Ana, Christian conseguirá dissipar os horrores de sua infância que o assombram todas as noites? Ou seus desejos sexuais obscuros, sua compulsão por controle e a profunda aversão que sente por si mesmo vão afastar a garota e destruir a frágil esperança que ela lhe oferece?










domingo, 6 de dezembro de 2015

MEP ENTREVISTA: Camila Ferreira

     Olá pessoal, tudo bem com vocês?

     Hoje nós temos o prazer de trazer para vocês mais uma super entrevista, com uma super escritora. Ela é um sucesso no #Wattpad, possuí mais de 23 mil seguidores na plataforma, suas histórias têm mais de CINCO milhões de visualizações e os comentários e estrelinhas passam das nossas contas. O sucesso dessa mulher é tão grande, que nós fãs, estamos enlouquecidas com o recente lançamento do nosso livro físico “Adorável Cretino” pela Editora Universo dos livros (Amo essa editora). 

     Apresento a vocês, uma super autora, mulher, mãe, esposa, famosa, sucesso e todos os outros adjetivos maravilhosos que possam ser atribuídos a ela... Camila Ferreira.


     A Cami é naturalmente de Belo Horizonte, mas como a vida é uma grande caixinha de surpresas e onde você nasce não será necessariamente o lugar que você vai viver para sempre, em 2011 fez um mudança radicou e foi morar com a família nos Estados Unidos, sua parada inicial foi em Nova York, cidade essa que proporcionou suas primeiras inspirações para os seus primeiros romances. Muito atenciosa e gentil, ela respondeu algumas perguntas para o blog e ainda deixou um recadinho para os fãs.


MEP: O wattpad é uma grande plataforma online, onde todos os dias milhares de pessoas postam histórias ou leem histórias. Nos últimos dois anos se tornou uma grande vitrine para novos talentos, principalmente no mercado brasileiro, sendo assim, conte para nós quando você entrou para a “família wattpad” e o que te levou a postar suas histórias na plataforma? 

CAMILA:
Estava cansada de esconder meus romances; queria compartilhar. Sentia necessidade de ser lida, então, em 2013 depois de muito procurar, eu encontrei o Wattpad e não desgrudei mais. Sempre amei o feedback e as críticas construtivas que me fizeram e me fazem crescer até hoje.


MEP: Durante toda nossa vida recebemos influencias dos mais diversos meios e com os escritores não é diferente. No meio literário, quais são os autores que mais te inspiram, os que mais servem de referência na hora de escrever? 

CAMILA: Vou citar dois da minha imensa lista:
Paulo Coelho, pelos seus livros e, mesmo sendo o escritor brasileiro que mais estampa todas a livrarias do mundo, ele demonstra apenas o grande interesse em ser lido. Nada mais. 
Cecília Ahern é incrível e que transmite cada sentimento vivido em suas histórias. Seus livros são apaixonantes e nos prende já nas primeiras páginas


MEP: Seus livros se tornaram um verdadeiro sucesso. Hoje você tem mais de 23 mil seguidores no wattpad e mais de cinco milhões de visualizações em suas obras, a que você atribui esse sucesso?

CAMILA: Eu apenas soube focar apenas no meu trabalho. Acredito que, quando se faz algo que ama de verdade, a vida conspira a seu favor. Caso contrário, a pessoa desiste. Eu não desisti porque amo muito o que faço.

MEP: Durante o processo de criação dos livros suas inspirações surgem aleatoriamente ou tem uma preparação anterior?

CAMILA: A maioria das vezes elas surgem de forma aleatória. Porém, todos os dias eu fico no meu cantinho tentando buscá-las.


MEP: Qual foi sua reação quando viu pela primeira vez seus livros sendo vendidos? 
Você como leitora, é muito crítica com o seu próprio trabalho? 

CAMILA: Não há como descrever. É maravilhoso saber que meus livros estão sendo vendidos e comentado em muitos lugares. Sobre ser crítica, sim, eu sou. Quase nunca estou satisfeita com aquilo que escrevo. Sou extremamente crítica.


MEP: De todos os seus oito livros publicados no wattpad, você tem algum preferido, aquele que se pudesse ficaria escrevendo a vida inteira?

CAMILA: Cada livro que escrevo é sempre o meu preferido no momento em que estou criando. No entanto, Adorável Cretino é a único livro que senti vontade de fazer uma continuação. Ele me deixou mais leve, feliz e me garantiu muitas risadas. Se você riu em algo que Jason Hoffman disse, acredite, eu gargalhei muitas vezes.


MEP: Quais dicas você pode dar aos seus seguidores que sonham em se tornar escritores? 

CAMILA: Não sei se eu seria a pessoa mais indicada para dar dicas, já que estou apenas no começo de tudo. Estou aprendendo. Entretanto, posso afirmar que você deve fazer aquilo que gosta. Não faça nada para agradar ninguém. Faça aquilo que realmente sente vontade de fazer que as chances de dar certo aumentam consideravelmente. Você vai receber críticas e/ou talvez ofensas, mas não deixe que isso te abale. Nunca desista. 

"Talvez não existam palavras suficientes e significativas que me permitam agradecer a todos pelo carinho que venho recebido. A ajuda e apoio dos leitores que compartilham minhas histórias são tudo para mim. Com todo o carinho e de coração eu agradeço. Muito obrigada!"

Onde encontrar a Camila e os livros dela: 













sábado, 21 de novembro de 2015

O que eu quero pra mim


Autora : Lycia Barros

Editora : Arqueiro

Sinopse : " Alice é independente, bem-sucedida profissionalmente e muito ambiciosa. Além do sucesso no trabalho, tem um namorado que é o sonho de qualquer mulher: lindo, apaixonado,louco para se casar e ter filhos. Mas ela não é qualquer mulher, e acha que a carreira vem antes de tudo. Então, quando Casseano a coloca contra a parede e exige mais espaço em sua vida, os dois entram em um impasse e acabam se separando. Em poucos dias, Alice sente que o fim do relacionamento está sendo mais duro do que esperava. Para piorar, o trabalho entra em crise e sua sócia, preocupada com a saúde da amiga, a obriga a se afastar por um tempo. As férias a ajudarão a arejar a cabeça e voltar mais produtiva. Com tudo dando errado ao mesmo tempo, Alice aceita a sugestão e compra uma passagem para Londres. Chegando lá, mergulha numa profunda jornada de autodescobrimento e percebe o que realmente importa pra ela. "




O que eu quero pra mim é o livro que mais mexeu comigo neste ano . Um livro que mexe com seu emocional , e faz você repensar também junto com a personagem o que é importante na sua vida ,  Alice no inicio do livro não se importava em ter uma família ,e se casar, nesse autodescobrimento ela vê , que nem tudo que achamos ser o certo para nossas vidas , é o melhor para nós. Que guardar magoas passadas , só atrapalham o que o futuro tem para nossas vidas. Não tenho muito o que dizer nesta resenha , pois se não estaria estragando o que lhe espera nesta leitura magnifica , um livro de auto conhecimento de si próprio , um livro que vai fazer você escolher novos desafios para si próprio.




                                           " O voo até a Lua não é tão longe.
                                              As distâncias maiores que devemos
                                              percorrer estão dentro de nós mesmos "
                                                                            Charles de Gaulle




quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Button Poetry - Poesia falada que te deixa emocionada


      Dizem que quanto mais velha você fica, a tendência é ficar ainda mais emotiva. Fiz 20 anos e acho que já estou entrando nessa estatística. Textos, frases, livros, filmes, músicas, conversas e qualquer meia dúzia de palavras, às vezes me fazem chorar feito um bebê.

      Recebi um link essa semana, que me direcionou a um vídeo que me deixou muito emocionada. Quase ninguém sabe, mas eu sou uma recém-estudante de letras, acabei de mudar de curso e qualquer forma de expressão tem me encantando muito.

      O vídeo em questão é de um grupo de poetas, chamado button poetry – procurem pelos outros vídeos no youtube. Eles mesmos escrevem seus poemas e através de apresentações faladas, eles vão dando aos seus poemas toques de prosa. E em uma das apresentações do grupo, o poeta Neil Hilborn, apresentou um poema sobre o amor de um homem com TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). Logicamente, o resultado não poderia ser diferente e arrancou de mim, lágrimas que até agora não sei explicar muito bem.

      A ideia de amar já é algo enlouquecedor, acrescentam a isso, as singularidades, as especificidades de uma pessoa com TOC. (“TOC é um transtorno mental caracterizado por padrões de comportamentos e pensamentos repetitivos que representam significativo sofrimento para o indivíduo. Alguns dos sintomas são, obsessão, compulsão. Algumas pessoas que possuem TOC conseguem reconhecer o problema e tem consciência dele, conseguem até controla-lo, mas nem sempre é assim, em alguns casos o indivíduo tem vergonha e prefere manter em segredo, se contar para ninguém e nem procurar ajuda profissional.”)


     Assistam ao vídeo e se apaixonem junto comigo!









quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Sertanejo universitário do amor


      Dizem que a música que ouvimos diz muito sobre nós, baseada nisso, posso pressentir que estou entrando na merd*. Mesmo que eu goste de ouvir quase todos os tipos musicais, ultimamente um tem conquistado o meu coração.

      Os famosos Sertanejos Universitários – o mais engraçado é que eu passei a gostar mais quando entrei na universidade, coincidência né? – tem tomado às paradas de sucesso e a cada dia um novo cantor se revela sucesso, com alguma música chiclete, que depois de tanto ouvirmos, passamos a odiá-la. Não sei de onde surgiu esse termo, mas imagino que tenha algo ligado aos cantores bonitos e jovens que tem atingido o estrelato.  

      Porém, não vim aqui para falar de músicas chicletes e cantores bonitos, vim aqui para falar de músicas que exaltam e expressam... O amor minha gente, O AMOR.

Sim, quando a música começa a fazer sentido para nós, quando a música começa a nos levar para pensamentos em certo alguém... Significa que estamos muito ferrados ou não, mas na maioria das vezes, sim, estamos muito ferrados.


      Pensando nesse momento de amor, de paixão e de palavras bonitas, resolvi listar os CINCO sertanejos universitários, que possuem marca registrada na minha playlist:

Que sorte a nossa - Paula Matos

     Que Deus abençoe essa voz e que permita que ela cante para o resto da vida, porque eu posso passar a vida inteira ouvindo-a cantar. Acrescenta a essa voz incrível, uma melodia apaixonante e uma letra linda, pronto deu Paula Matos - Que sorte a nossa! 


Domingo de manhã - Marcos e Belutti

     No momento eu preferiria mil vezes estar hospedada em um hotel mil estrelas em Dubai, mas como a verba não me permite nem sair de casa imagina me hospedar em uma simples kitnet em Dubai... Por outro lado, quando você está apaixonado tudo isso pode sim, ser sem sentido e desnecessário se você não tiver a pessoa que ama do lado. Claro que não precisa ser domingo de manhã, ninguém merece acordar cedo. Ainda sim, deve ser muito bom estar com quem amamos verdadeiramente em todos os momentos. 


Os anjos cantam - Jorge e Matheus

     Espero que sejam os anjos cantando mesmo, porque se logo que você me viu, descobriu que era eu, tem que ser de Deus. Eu amo a melodia dessa música, nela tudo se casa inclusive os cantores lindos. Acredito que essa música se trate de um amor a primeira vista, não acredito muito nesse tipo de amor, mas parabéns para quem conseguiu viver um. 


Escreve aí - Luan Santana

Deixa eu contar uma coisa, o Luan é gato. Mas o foco aqui não é ele e sim a música maravilhosa e chorosa. Quando se trata de amor, sempre, eu disse sempre, tentamos nos enganar. Nós mesmos nos fazemos de idiotas, acreditem em mim. Quando falamos " vou te esquecer", esquece, porque ninguém vai esquecer nada. Pode parando de mentira. Tudo parece ficar ainda mais vivo e real, tudo parece retornar a sua mente e até as coisas ruins se tornam "aceitáveis" e sem dúvida nenhuma "é só fazer assim..." que você volta e correndo ainda por cima, porque assim como o Luan diz: "É que eu te amo / E falo na sua cara / Se tirar você de mim / Não sobra nada / O teu sorriso me desmonta inteiro / Até num simples estalar de dedos / Talvez você tenha deixado eu ir / Pra ter o gosto de me ver aqui / Fraco demais para continuar / Juntando forças pra poder falar"



Suíte 14 - Henrique e Diego

Essa semana eu li uma frase que postaram na sexta-feira 13: "A sexta-feira pode ser 13, mas a suíte é 14.", tá parei! Essa música é mais dançante, mais... não sei explicar, só sei que gosto dela. Quantas pessoas brigam todos os dias, vivem praticamente entre tapas (metaforicamente, sem tapas, por favor) e beijos e mesmo assim se amam loucamente. É quase igual a outra música que diz que tem ódio dela, mas morre de amores. Indo contra ao que imaginávamos, na minha opinião, a parte mais romântica fica por conta das rimas do MC Guimê. "Quer ser durona, mas é sensível como um vidro / Se emociona com nós se amando em uma hidro / É como o brilho da estrela que brilha da ilha particular / Você merece o melhor, então vem aqui buscar!"



Então pessoal, essa é a minha playlist. Espero que tenham gostado e se tiverem alguma indicação de gêneros musicais ou outras coisitas mais, é só mandar para o nosso e-mail ou nos contatar nas redes sociais. Um grande beijos e até a próxima! 






domingo, 15 de novembro de 2015

O segredo do meu marido


Editora: Intrínseca


Autora: Liane Moriarty

Sinopse: Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta que deve ser aberta apenas quando ele morrer. Imagine também que essa carta revela seu pior e mais profundo segredo — algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você encontra essa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo...
Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar da pequena comunidade em que vive, uma esposa e mãe dedicada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia — ou uma à outra —, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela.

     EU AMO LIVROS COM CARTAS... Não sei qual é o meu problema, mas sempre que eu vejo um livro com cartas, minha curiosidade fica a mil e eu necessito ler. Gosto tanto dessa temática que introduzi nos que eu escrevo. Gosto da ideia de ainda conversarmos ou expressarmos nossos sentimentos, medos, desejos através do papel, acho que fica mais real, não sei, pode ser viagem minha.
     O SEGREDO DO MEU MARIDO chegou até mim depois de uma mega promoção da saraiva. Já falei que eu amo promoções de livros? Não, então estou falando agora. Rs’ Comecei a lê-lo assim que chegou e de um modo geral o livro é muito bom. Se tivesse que dar uma nota de 0 à 5 para ele, seria 4, não pelo início, mas sim pelo final. 
     O grande problema dele, no meu ponto de vista, é que tem um início muito enfadonho, chega ser estressante. Pois você lê páginas e páginas e nada acontece de fato. No início fiquei um pouco perdida, porque o livro conta a história de três núcleos familiares diferentes que aparentemente não tem nada haver, porém conforme você vai lendo, vai notando que aos poucos vai acontecendo uma conexão com os personagens, uma conexão muito natural. Quando o livro chega à metade, SÓ NA METADE, você vai começando a tomar gosto pela leitura, e começa a querer ler mais e mais, até chegar ao ponto que você não consegue mais parar de ler. Os acontecimentos vão te consumindo e você vai tentando entender porque certas coisas aconteceram e porque determinadas pessoas fizeram o que fizeram.
     Confesso que chorei com o final, eu tive um envolvimento muito grande com ele. O final é surpreendente, na verdade, eu nunca li um livro com tantas reviravoltas.
     Para vocês terem uma ideia do tamanho do meu envolvimento com a história, eu passei longas noites indagando sobre muitos conceitos e questões que o livro levanta. Involuntariamente, você começa a se perguntar sobre coisas que aparentemente são muito naturais. Comecei a pensar muito mais em como o amor verdadeiro pode transformar as pessoas, ao mesmo tempo em que você pode se afundar em uma depressão sem fim, você pode se levantar e pelo menos tentar dar a volta por cima. Como o amor materno e paterno pode mudar uma pessoa, pelos filhos os pais são capazes de tudo, até mesmo de abrir mão de sua busca pela felicidade como no caso da Tess ou "perdoar" o que talvez pudesse ser imperdoável como no caso da Rachel.
     Outra coisa que o livro trás é que, não importa quanto tempo passe, os seus erros cometidos no passado sempre vão te perseguir, a sua culpa sempre estará ao seu lado e infelizmente quem pode pagar o preço são as pessoas que você mais ama.
     A imagem da confiança imaculada também é abordada no livro, aquela pessoa que você mais confia, que sempre esteve ao seu lado, que você se dedicou 100%, cresceu juntas, que nutrem aquele amor incondicional - não falo como um casal, mas como amigos, irmãos, almas gêmeas - essa pessoas pode ser aquela que vai fazer você sofrer e se perguntar "onde foi que eu errei?". Da noite para o dia sua vida vai mudar por completa e vai fazer você pensar sobre coisas que antes você não pensava, pois, achava que estava indo tudo muito bem, mas mesmo que você esteja muito magoada vai perceber que de alguma forma isso foi bom, vai te ajudar a se conhecer melhor, a experimentar coisas novas e embarcar em uma viagem no desconhecido, na tentativa de descobrir quem você realmente é. Até chegar à conclusão de que depois que você tem filhos, não existe mais pensar só em si mesmo.
      O epílogo é uma parte fantástica do livro, ele fala como o destino e suas escolhas podem determinar sua vida e faz você analisar aquele maravilhosa expressão que persegue muita gente "e se?", e se eu tivesse feito isso? E se eu tivesse tomado essa atitude? E se eu tivesse me arriscado mais? E se eu tentasse algo novo? E se eu largasse tudo e fosse atrás da minha felicidade? E se isso aqui, não fosse suficiente para mim? Sempre haverá coisas que você jamais saberá o que aconteceria se tivesse tido determinada atitude. O arrependimento, o perdão, o amor, o segredo, a fidelidade, a confiança, o passado, o presente e o futuro, tudo isso e mais um pouco você encontra no livro. Se me perguntarem se eu indico essa leitura, não me cansaria de dizer sim, sim e sim. Pelo final, vale muito a pena, passar pelo início parado. 

 "Nenhum de nós conhece todos os possíveis cursos que nossas vidas poderiam ter tomado. E provavelmente é melhor assim. Alguns segredos devem ficar guardados para sempre..." (pág. 364). 



Resultado do Sorteio

PODEM CONFIRMAR COM A LUDMILA, PORQUE FOI HOJE!!!!



        Antes de falarmos dos vencedores, gostaríamos de agradecer a cada um de vocês pela participação. Estamos muito contentes com os resultados que esse primeiro sorteio está trazendo para o nosso blog e fiquem sabendo, que por razão desse sucesso, o Papai Noel vai passar por aqui no Natal e deixar uma chuva de presentes para ser sorteados... 



       Parabéns meninas, obrigada por participarem! Entraremos em contato por e-mail com vocês. 







sábado, 31 de outubro de 2015

Sorteio



Olá gostosos e gostosas tudo bem com você? 

       Como vocês sabem, o nosso blog ainda é apenas um bebê e para comemorar esse "nascimento", estamos fazendo o nosso primeiro sorteio de muitos outros. 
       Como somos muito boazinhas, estamos sorteando dois kits, para dois lindos seguidores diferentes. E ai vai querer ficar fora dessa? Vai deixar a chance de ganhar 11 marcadores e um bottom passar? Claro que não, né? 

       O SORTEIO SERÁ NO DIA: 15/11/2015
       Para participar é muito fácil, tão fácil que você pode fazer isso pelo computador, acredita? rs' 
Vamos lá então: 

1 - Entre em nosso blog. ( ah esqueci, vocês já estão aqui. rs')
2 - Curta nossa página no facebook: https://www.facebook.com/mergulheientrepaginas
3 - Curta e compartilhe o link oficial do sorteio (ele está na nossa página). 
4 - Abra o link do sorteio, ou na página ou por aqui mesmo e clique em "QUERO PARTICIPAR" sorteiefb.com.br/tab/promocao/501655


Corram que dá tempo, vamos participar e ajudar a promover o blog e a página! 





Conto : O crime dos Gatos

Oi galerinhaaaa, em homenagem ao Halloween , a nossa querida Autora Mércia Ferreira , nos cedeu esse maravilhoso conto de suspense e terror, vamos dar uma olhadinha ? 




Um conto de Mércia Ferreira

                                                         


                                                       O crime dos gatos



Há cerca de dois meses, em uma rua de um bairro pobre em uma cidade, gatos mortos começaram a ser encontrados pelas ruas todas as manhãs. Os bichos eram encontrados com um embrulho plástico preso às cabeças e com cortes na barriga, e se eram fêmeas, tinham os mamilos cortados. A cena era algo mórbido de se ver. Principalmente quando era uma criança que encontrava. As autoridades foram acionadas. Um crime macabro a seres tão inofensivos estava sendo cometido, todas as noites, nas ruas daquele bairro, e para todos eram um fato perturbador, tanto quanto misterioso. 

Há cerca de um ano e meio, nesta mesma rua houve um assassinato brutal. O marido chegou a casa e matou a mulher, exatamente da mesma forma como eram encontrados os seres vitimados nos dias atuais. Ele a matou com asfixia, e ainda lhe perfurou a barriga com facadas e lhe cortou os seios fora. Ninguém nunca soube o que aconteceu naquele dia quando ele chegou. Sabe-se apenas que ele chegou cedo do trabalho e cometeu tal ato. 
Mas o fato causador de tal fato não era a única incógnita para os investigadores ou para os moradores que presenciaram a policia levando o corpo da mulher e do homem. O casal tinha um filho de dez anos. Alguém na vizinhança ligou para a polícia naquela noite. Quando os policiais chegaram, a mulher já dava seus últimos suspiros, e seu fim foi inevitável. O homem se jogou contra um policial e foi baleado. Um sangramento ininterrupto no peito o levou a óbito antes de chegar a um hospital. O filho, em tanto tempo de investigação, nunca foi encontrado, ainda que morto. 
Um ano e meio depois e as marcas deixadas pela trágica história da família Brandão ainda habitavam a velha rua. Muitos moradores, não só da rua, mais do bairro, mudaram-se devido ao medo. As pessoas passaram a evitar passar em frente à casa e quando o faziam, olhavam para outro lado, com medo de que os espíritos ainda estivessem lá. 
Mas naquela noite, havia um ser a espreita. Um vigilante às escondidas, sobre o tetos das casas, apenas esperando o assassino de felinos aparecer. E naquela noite tudo estava a seu favor. Ao longe, quando as ultimas luzes foram apagadas nas casas e todos dormiam, ao longe uma sombra atravessou a rua. A sombra correu em direção à algo em um arbusto. Mesmo a distancia o vigilante escondido pôde ouvir o protesto de um felino. A sombra correu para o fim da rua, arrastando o pobre animal a força. 
Logo o vigilante desceu do teto que estava por uma árvore. Um arrepio causado pelo frio da noite percorreu a espinha do homem. Mas ele não parou. Andou rápida e cautelosamente para o fim da rua, em busca de sinais de por onde a pessoa entrou. O caminho percorrido levava exatamente para próximo à casa onde ocorreu o assassinato. 
Eliot, o vigilante, parou em frente à casa com o mesmo medo de todos, mas de algum lugar na casa abandonada dos Brandão veio um protesto esganiçado do gato. Ele agitava-se enormemente. Eliot correu, cercando a casa que tinha antes apenas jardins mortos ao seu redor, sem cercas ou muros na frente, e nos fundos apenas uma cerca mediana. Por entre as brechas da cerca ele avistou a sombra fazendo mal ao ser tão inofensivo. A face era impossível de ver, mas ouviu uma voz nada adulta, porém, forte, como se a pessoa estivesse fora de si. 
–Morra... Apenas morra sua desgraçada! –Eliot ergueu o corpo escondido e avistou um menino, por volta de uns doze anos, cabelo comprido que caía sobre os olhos e uma roupa surrada. 
Os pés desajeitados de Eliot pisaram em um galho que quebrou e fez barulho, chamando atenção do menino. A criatura macabra na frente de Eliot lhe lembrava de alguém, mas não sabia definir de quem se tratava a semelhança. 
Os cabelos negros do garoto esvoaçaram com um vento frio que inundou a noite. Eliot tremeu e seus pelos arrepiaram-se. O menino soltou o animal no chão, deu passos lentos para trás. o vigilante notou a estratégia do menino e fez menção à pular a pequena cerca. Apoiou então as mãos sobre a mesma e se lançou para dentro. Quando seus pés tocaram o chão interno do perímetro, vasculhou com os olhos o lugar onde o menino estivera. Ele havia sumido. Por um instante ficou aturdido, mas em seguida ouviu a porta da casa que há um tempo estava interditada, bater. 
Seus passos ligeiros seguiram o caminho da porta. Estava aberta. Ouviu os passos ligeiros do menino correndo dentro da casa. Seu medo era grande, mas sua determinação era maior, e naquela noite ele tinha que ter uma resposta para aquilo que vinha se passando naquela rua. 
Ouviu algo ser arrastado. Correu. E diante dos seus olhos, ao chegar a uma sala de moveis encobertos e tomada por teias de aranha viu o menino empurrando uma espécie de porta camuflada na parede. Uma passagem secreta. Aquela criatura sabia o que fazia ali. Ele conhecia a casa. Eliot teve flashes de memoria, recordando detalhes sobre aquela casa e o caso ali. 
–Bruno? –o menino voltou-se para ele, que não ouviu seus passos e nem notou sua presença. –É você, Bruno? 
–Você deve morrer! –os olhos do menino pareciam tochas acesas. Brilhavam contra a luz do farol da lanterna. Sua voz era algo estranho, arrastado. Era baixa, contida e assustadora. Mas em vez de partir para cima de Eliot, assim como seu jeito e palavras ameaçou, ele andou em direção ao lugar que ele abriu e seu corpo se escondeu na escuridão da passagem que levava Deus sabe para onde. 
–Droga! –Eliot exclamou raivoso. Ele encontrou o menino sumido, descobriu quem vinha cometendo este crime terrível na rua e encontrou o local que o abrigou todo este tempo. A passagem se fechou e ele ficou do lado de fora. Bruno travou a porta por dentro e ele nunca conseguiria abrir sozinho aquela porta. 
O rádio comunicador em seu bolso era a solução. Um contato e aquela porta seria colocada à baixo. 
–Esquadrão? Câmbio! 
–Jaguar na escuta, câmbio! 
–Jaguar, Águia Um aqui. Câmbio. 
–Qual a emergência? Câmbio. 
–Encontrei o assassino dos gatos, na Rua Benito Amaral. Preciso de reforço! Câmbio. 
–Localização exata? Câmbio. 
–Casa de Numero 2512. Lembra a casa do crime de um tempo atrás? Câmbio.
–Confere! Câmbio. 
–Estou dentro dela. Venham logo. Câmbio. Desligo. 
Em menos de trinta minutos os carros de policia começaram a parar na porta. A casa foi invadida. O capitão foi na frente e encontrou Eliot. 
–Que bela recepção! Onde ele está? –perguntou o capitão.
–Senhor, precisaremos de algo mais especial neste caso... –Eliot era cauteloso.
–Como assim? 
–Lembra do caso que ocorreu nesta casa? 
–Sim, lembro. O marido matou a mulher e o filho. O corpo do filho nunca foi achado. E o marido morreu baleado. Mas o que tem haver com o agora? 
–O senhor lembra como o homem matou a mulher? E lembra como os gatos foram encontrados? Ah, e quem afirmou que o menino foi morto? 
–O que está querendo me dizer? Sem rodeios, por favor! –o homem disse rispidamente.
–Senhor, todos os bichos que foram mortos, ele tem semelhanças em sua morte com a morte da mulher desta casa. A senhora Brandão! Todos, em especial as fêmeas, que são cortadas os mamilos também! E eu vi nesta noite...
–O que viu nesta noite? –o capitão já estava perdendo o pouco de paciência que lhe restava. 
–O menino, senhor... Ele não está morto. Ele está aqui, nesta casa. O Bruno está vivo! E creio eu que ele presenciou a morte da mãe. Ele fez aquilo tudo! 
–Como assim? E onde está o menino? Eu vim aqui buscar um criminoso e você me vem com uma historinha pra dormir? 
–Senhor, há aqui uma passagem secreta. Ele entrou aqui dentro, e nunca saiu. –Eliot apontou em direção à parede. –Teremos que derrubar. 
O capitão estava impaciente, andando de um lado para outro. Os pouco fios de cabelo que ainda tinha estavam suando, e seu corpo já velho estava cansado. O homem chamou sua equipe e ordenou: 
–Derrubem a parede. Até a casa se preciso for! E Eliot, venha aqui! 
Eliot andou para fora da casa com seu capitão. Lá fora haviam pessoas andando pelas calçadas, querendo saber o que se passava. O capitão virou para ele:
–Encontre a melhor clinica e os melhores médicos para cuidar desse garoto! Eu quero a melhor equipe possível! Falo questão! 
–Sim, senhor! Mas uma clinica pronta para isso custará algo bem razoável, e ele não tem mais família senhor, para pagar... E ele é só um menino, não pode ser jogado em um abrigo comum. Não no estado em que se encontra. 
–Como assim: estado em que se encontra? 
–Ele me disse que eu devo morrer. Ele me ameaçou senhor. No mínimo ele precisará de uns dois psiquiatras para cuidar dele. E nesta situação, a família dos pais dele não o quererá por perto. 
–Sim, o quererá! Principalmente sabendo que está recebendo o melhor tratamento possível... Agora ande até o meu carro e busque no porta luvas, e encontrará uma agenda. Nesta agenda tem os contatos de uma clinica muito boa. Diga que Jamarcus Lisboa Brandão o está enviando. 
O capitão Lisboa indicou o carro, que não era o de serviço e sim seu carro pessoal, liberou o alarme e partiu para dentro de novo. Eliot estava pensativo sobre aquilo tudo. Ao sentar no banco do carona do carro de seu superior, saiu tateando até achar a agenda. Quando a abriu, de dentro caiu uma enxurrada de fotos. Com a lanterna ele observou cada uma dela. 
Eram fotos da família Brandão, antes do assassinato. E tinha uma de Bruno, sorrindo, brincando em um balanço. Na época em que ocorreu o crime, Eliot ainda não havia sido transferido para a cidade, e não teve contato com a família do casal. Não que soubesse. Mas ali ele descobriu que viveu um bom tempo ao lado de um familiar mais que próximo. Como pôde nunca ter associado o seu capitão à família? 
A ultima foto era do capitã e o menino Bruno em seu colo, com chapéu de aniversário. O capitão era tio do menino. Irmão da mãe dele! E agora o reencontrou e queria protege-lo. Queria dar-lhe o melhor. 
A porta da passagem secreta foi derrubada por seis homens e seus machados. 
O menino estava encolhido em um canto, temeroso. O semblante quase demoníaco de antes estava escondido. Ele estava tremendo. Logo um policial se aproximou do menino. 
–Ei, garoto, eu não vou fazer mal a você! Você pode confiar em mim. Eu só preciso levar você comigo! Você confia em mim? –o policial falava mansamente para não assustar mais ainda o menino. 
Bruno meneou a cabeça em afirmativa para o homem que se aproximou dele devagar e o ergueu no colo. Quando o policial estava saindo para fora do lugar, o menino fez um barulho como um choro, recostado em seu peito. O homem baixou o olhar para ele, e o menino sorriu, como se estivesse no natal e recebeu o melhor presente. 
–Você deve morrer! –e o menino sacou da manga da camisa uma faca e deferiu um golpe no peito do homem. Todos presenciaram a cena. O homem o soltou, caindo de joelhos, em pura dor. O menino tentou correr, mas estava cercado. Era inevitável ser pego naquele dia. Dois policiais o seguraram por cada braço e um terceiro o revistou. Haviam mais duas facas pequenas nos bolsos. 
O menino olhou para cada um deles e disse a mesma frase:
–Você deve morrer! 
Aquela noite foi cansativa e cheia para todos. por sorte a força o menino não foi suficiente para matar o policial. Ele teve complicações, mas sobreviveu. 
A clinica recebeu o menino, mas todos o temiam. Ele foi colocado afastado de todos, em um quarto protegido e sem materiais pontiagudos. Mas nem assim as enfermeiras confiavam entrar em seu quarto sozinhas. Bruno nunca abriu a boca para dizer nada mais além da mesma frase de sempre. Todos os dias ele repetia as mesmas palavras para qualquer um que entrasse lá:
–Você deve morrer!
Um ano se passou e as mesmas três palavras eram as únicas que ele dizia. Nem mesmo os psicólogos e psiquiatras da clinica conseguiram fazê-lo falar. 
Mas naquela tarde, quando a nova psicóloga chegou para seu primeiro dia com o menino, e solicitou vê-lo, trouxe uma nova esperança para Jamarcus. 
Em frente à porta do quarto do garoto, Micaela parou, encarando a porta, acompanhada de três enfermeiros que foram destinados à garantir sua segurança lá dentro. Ela respirou profundamente e se voltou para os enfermeiros. 
–Certo... Eu não entrarei nesta sala com vocês! Só para que saibam logo, eu não trabalho desta forma. Se os mandaram, apenas os digam que é assim que funciona comigo e que se não aceitarem minha metodologia, tenho vários outros convites de clinicas no país todo me requisitando. 
–Mas nós recebemos ordens... –protestou um enfermeiro. 
–E está recebendo outra agora. Ou ficam de fora do Meu trabalho ou eu vou embora. Simples assim! E mesmo, fui informada de que têm câmeras escondidas no quarto. Vão para a sala de monitoração e fiquem de olho. E se, apenas se, eu correr risco, vocês vêm. Agora me deixem trabalhar! 
Um dos enfermeiros confirmou com um menear e abriu a porta. Ela deu-lhes as costas e adentrou a sala. 
Era uma sala totalmente branca. Sem desenhos ou vida. O menino estava sentado no chãos, ao lado da cama. Seu uniforme era uma simples camisola branca e enorme. Nos pés um chinelo de dedos. Os cabelos haviam sido cortados e mantinham ele em plenos tratos higiênicos. Nem mesmo as unhas cresciam, por cautela. E como fazer isso tudo? Ele era sedado sempre. 
–Bruno? –ela chamou. Ele sequer levantou a cabeça para olhar para ela. –Bruno! Olhe agora para mim! –ela foi ríspida, e funcionou. Ele olhou. Quando os lábios do menino iam se mover para proferir suas únicas palavras, ela o agiu. –Já sei! Eu tenho que morrer, blá, blá... Isso é chato sabia? Quer saber, você é mimado de mais por todos aqui, que ficam insistindo para você falar qualquer coisa que não seja essa sua baboseira de sempre, mas eu não! Eu vim apenas dar eu mesma o meu próprio recado! E quer saber qual é? –perguntou.
O menino a encarou e negou com a cabeça.
–Vim lhe dizer que todos os dias eu estarei aqui, na sua frente, por pelo menos uma hora. E não vou ficar falando besteira com você, ou implorando que fale nada. Mas você terá que me ver todos os dias. Não importa o que faça, ou o que quer, eu não vou desistir! E com o tempo você aprenderá a confiar em mim. E quando você vier a ver que está pronto para falar, você o fará sem pressão! –ela não era nada gentil em suas palavras. Nem parecia estar falando com um menino de treze anos. Ele a encarou, sentado no chão, e sem mover um centímetro do corpo. Ela apenas puxou uma cadeira simples, de plástico e sentou de frente para ele e nada mais disse. E aquela hora que parecia eterna passou e ele não disse nada, mas nada tentou contra a mulher. 
Um mês inteiro sem passou. Todos estavam espantados com a persistência e forma de agir de Micaela. Mesmo sem que Bruno falasse algo importante, mas para ela, ele nunca disse aquelas palavras de sempre. E agora ele conseguia se mover pelo quarto quando ela estava presente. E ela levou, mesmo correndo o risco de ele tentar algo, materiais de pintura, e papeis para ele colorir. Sempre sendo alertada de que ele poderia usar um lápis de cor para enfiar na garganta dela. 
Aos fim do terceiro mês ela adentrou o quarto como fazia todos os dias. Mas ele estava de pé, ao lado da cadeira que ela sempre usava. Ele virou a cadeira e a ofereceu a ela. Ele tinha os cabelos molhados, e a camisola fora substituída por indicação dela por uma roupa mais adequada. Agora usava calça e camisa, brancas como sempre. Os pés descalços diziam o quanto ele se sentia a vontade diante dela. 
–Olá, Bruno! 
–Oi! –ele respondeu, pela primeira vez! 
Para ela, ouvir a voz dele foi uma enorme surpresa. 
–Tudo bem com você? –ela perguntou, com uma expressão alegre no rosto, mas ele se retraiu, assustado. Ele apenas acenou concordando. Ela sentou na cadeira que ele ofereceu, e ele andou até seu lugar rotineiro, e sentou sobre as pernas ao pé da cama. 
Ele parecia impaciente naquele dia, como se algo o incomodasse. Ele começou a coçar o meio da mão direita em um sinal de nervosismo. 
–Bruno, há algo que queira me falar? –Perguntou calmamente. Ele acenou em sinal de sim. –Pois diga! Ou você pode desenhar, ou escrever para mim! –Ele negou com a cabeça. –E que tal usar as palavras? Vamos, deixe-me ouvir sua voz! Um rapazinho tão bonito deve ter uma voz linda. 
Um tempo se passou. Micaela já olhava o relógio, esperando o momento de dar as costas e sair. Mas o importante é que ele avançou um pouco. Já era algum mérito. Quando ela levantou, para sair mais cedo e dar espaço a ele, então Bruno resolveu reagir:
–Não vá! –seus olhos pediam mais que suas palavras. Ela assustou-se com tal atitude, mas sentou novamente. 
–Certo, eu fico. Mas por que quer que eu fique? 
–Seguro. Eu me sinto seguro! –ele falava pausadamente. –Eu fico bem com você aqui.
–E quando eu saio, o que sente? –cautelosa.
–Vontade de morrer. 
–Você sabe por que está aqui, Bruno? 
–Sim! Eu não fiz nada. Eu podia ter ajudado ela. E não fiz nada a tempo. Liguei tarde... –ele começava um choro baixinho. 
–Não, Bruno, você fez o que pôde! Você é apenas uma criança. Não havia muito o que ser feito...
–Sim, havia! –seu choro aumentou. Ele estava se agitando. –Ela estava amarrada na cama por vários dias! E tudo por minha causa... –ele se encolheu no chão. Parecia um feto, deitado e chorando. Micaela não soube o que fazer. Estava aturdida. Era a primeira vez que ele falava. O progresso em um dia fora maior que em três meses inteiros. 
Micaela foi levada da sala e por aquele dia, em meio à agitação do menino ele foi sedado. E Micaela foi dispensada por dois dias para que pudesse se recompor. Mas do contrário de muitos, ela não se deixou levar pela ordem e retornou no dia seguinte para ver o menino. E ele estava da mesma forma quando ela chegou. A esperando!
–Oi, Bruno! –ele não respondeu. Deu as costas para ela, e caminhou pelo quarto. 
Após um tempo ele virou-se para ela, que nem esperava que ele abrisse a boca para falar naquele dia. 
–Me desculpe por ontem... –ela levou uns minutos para assimilar a atitude do menino. E em seu silencio permaneceu, para que ele tivesse seu próprio espaço, e ele continuou. –É que não é fácil tocar nisso! E eu sei que estou doente e que você quer me ajudar. Só não sei se consigo...
–Bruno, eu passei três meses esperando que me desse um simples oi, e isso, lá fora é um grande avanço de sua parte. Eu não espero chegar aqui todos os dias e ouvir de você as mesmas coisas, ou que me conte a cada dia um trecho, mas para ouvir quando estiver pronto para me dizer... Eu me preocupo com você! –suas palavras afetaram a ela. 
O menino andou até ela, e tocou os cabelos longos dela, que negros, caiam em cascatas. O menino sorriu pela primeira vez desde que o vira. 
–Você me lembra ela! É linda e persistente! E isso não é bom. Ela persistiu quanto a manter um caso com outro homem, e papai descobriu... Ele a amarrou na cama e passaram-se dias assim. Ele pedia para ela jurar que nunca mais olharia para o amante. Eu ouvi muitas vezes ela negando isso ao meu pai. –as palavras do menino eram frias, duras como rocha. Não era atoa que ele estava naquele lugar. Ele presenciou horrores. –E quando ele cansou de insistir com isso e ela irredutível não aceitou, ele fez o que fez. 
–Você assistiu à tudo? Onde você estava? E como viveu este tempo todo? 
–Assisti sim, a tudo! Eu estava o tempo todo na parede. Aquele lugar me escondia todos os dias. E eu sempre ficava lá, a observando. Eu poderia ter soltado ela da cama, e fugido com ela, mas ele iria atrás de nós e eu seria o traidor. Mas o mais simples de tudo foi sobreviver. Eu nunca precisei de muita coisa. E estava na minha casa. Tinha minhas roupas e alguma comida e dinheiro que sobrou. Depois fui gastando um pouco dinheiro que eu tinha no esconderijo. 
–E por que os gatos? Por que fez aquilo tudo? 
–Quando eu fiquei sozinho e dormia no esconderijo, com medo de alguém invadir a casa e me pegar no quarto e me levar para algum lugar, eu fiquei com a mente perdida. A única coisa que eu lembrava era de como ele matou mamãe. –ele não era mais o menino de antes, não aquele que acariciou os cabelos dela. Não aquele que deu um oi com voz macia. Era macabra e doentia. Parecia que o Bruno havia dado vaga à outra pessoa. –E a vontade de reproduzir a cena me consumia. E até fugi por um tempo destes pensamentos, mas houve um momento em que não consegui segurar-me. Eu só conseguia pensar no quão gostosa seria a sensação de deslizar a faca pela pele se algum ser. E eu fiz a primeira vez, e gostei. Era maravilhoso sentir uma vida se esvaindo pelas suas mãos. E quando comecei a fazer, passei a dormir melhor. E cada vez mais eu precisei repetir. E depois comecei a sentir vontade de sentir o sabor do sangue e muitas vezes eu bebi, nas taças caras de mamãe. 
O sorriso de lado no menino a deixou desconfortável. A forma como ele se expressava e suas revelações eram de embrulhar o estomago. Mas ela precisava se controlar. Ela era uma profissional e era a única capaz de fazer ele falar. E agora, graças a ela, a plateia na sala de monitoramento estava se divertindo. 
–Eu já falei tudo. Então você pode me deixar sozinho ou pode me levar para um passeio. –sorriu, arteiro. 
–Apenas mais uma pergunta. Posso? 
–Claro! 
–O que você faria se saísse lá fora e visse outras pessoas, e talvez animais? 
–Eu não sei! Mas acho que tanto tempo aqui e depois de conseguir colocar para fora tudo, posso conseguir me restaurar. –era mesmo uma criança falando? 
–A gente pode fazer alguns testes, caso queira! Eu dou um jeito de você ser liberado para andar pelo pátio, e posso analisar como age em meio aos outros. É uma tentativa. E pode ser sucedida. Mas você tem que prometer que manterá distancia dos gatos. Tudo bem para você?
–Tudo bem! 
Naquele dia, ao sair do quarto do menino, havia uma comitiva enorme a espera de Micaela lá fora. Foram horas de discursões e debates. Era uma tentativa arriscada, mas deveria ser pensada. E todo o ambiente teria que ser adaptado para que não pusessem a vida de nenhum paciente em risco. 
No dia seguinte Bruno colocou os pés para fora do quarto, assustado com a quantidade de pessoas. Ele foi apenas liberto do quarto, sem acompanhamento. Micaela o acompanhando de longe. O dia todo correu assim, e tudo deu certo. Naquela noite houve uma nova reunião e decidiram pelo voto de confiança de que o menino poderia evoluir em meio a outras pessoas. Assim, todos os dias o seu quarto seria aberto e ele poderia transitar pelos pátios da clinica, mesmo sem falar com as pessoas. 
Um ano se passou desde que Bruno chegou àquele lugar e todos acreditaram em sua regeneração. Ele dizia não lembrar mais o que era a sensação de matar, e afirmava sentir medo e vergonha, por tudo o que havia feito. 
Segundo os médicos, ele estava pronto para conhecer sua nova casa e tentar uma vida em família. O liberaram e sua guarda foi concedia ao seu tio Jamarcus, que lutou muito para tê-lo em casa. 
Mas será que Bruno foi sincero com todos na clinica? Seu tio o recebeu bem e lhe deu novo lar. O tio conversou com ele e disse que faria o possível para que ele fosse feliz naquele lar. Prometeu a Bruno que ele teria tudo o que estivesse ao alcance do tio. 
–Posso ter um cachorro, tio? 
–Claro, meu garoto! Hoje mesmo iremos ao pet shop e você poderá escolher o cão que você quiser! –falou animado. 
–Obrigada, Tio! –Bruno o abraçou. 
No meio da tarde havia um Golden Retriever correndo pela casa. E quando as luzes da casa de apagaram naquela noite e o pequeno Golden adormeceu, ao lado da cama do menino, foi surpreendido por um plástico encobrindo seu rosto e o sufocando. Por sorte o cão conseguiu ganir e despertou Jamarcus. 
Na seguinte manhã o menino estava voltando para a clinica. Não havia muita coisa a ser feita por enquanto. 
E no fundo, embora ele nunca confessasse, mas seu desejo de reproduzir a cena da morte da mãe jamais o abandonaria. E o profundo escuro dos olhos do menino sempre seriam uma imensidão de pensamentos insanos que jamais findaria. 
Fim! Ou não.